M!CporCoimbra

2006/06/30

Pérola de Mia Couto: “O mendigo Sexta-Feira jogando no Mundial"

Recebemos de Marisa Matias o seguinte texto de Mia Couto, que transcrevemos pelo seu interesse e actualidade


“O mendigo Sexta-Feira jogando no Mundial"


"(...) O que me inveja não são esses jovens, esses fintabolistas, todos cheios de vigor. O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)”


Mia Couto, in O fio das Missangas

Projecto de Estatutos do MIC - inclui propostas de alteração na especialidade

Informamos que se encontra disponível para consulta o Projecto de Estatutos do MIC, aprovado na generalidade na Assembleia Geral do Movimento. O documento, que inclui uma compilação de todas as propostas de alteração na especialidade, será discutido na Comissão de Redacção dos Estatutos e apreciado pela Comissão Instaladora do MIC (reuniões agendadas para 8 de Julho). Pode ser consultado pelos membros e simpatizantes do MIC/Coimbra, bastando para tal o envio de um e-mail para micporcoimbra@sapo.pt.

Apelo do Movimento Cívico "Não Apaguem a Memória!" - Sábado, 1 de Julho, 10.30 h, Largo da Sé

Não se esqueçam e tragam amigos!

Não apaguem a memória do Aljube!


Junta-te aos antigos presos políticos do Aljube, no próximo sábado, dia 1º de Julho, às 10.30H, no Largo da Sé!

Ao longo de mais de 30 anos a cadeia do Aljube, em Lisboa, foi um dos principais símbolos da repressão do chamado Estado Novo.

Os presos políticos eram encarcerados nesta prisão durante a fase de instrução do processo conduzido pela PVDE/PIDE.

Nesse período, que podia durar até seis meses, os presos eram interrogados, torturados e submetidos a um total isolamento.

O sofrimento e a humilhação a que foram submetidos tantas portuguesas e tantos portugueses não podem ser esquecidos.

O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória!, para reforçar junto da opinião pública e dos poderes públicos, em especial da Assembleia da República, a necessidade de dar aquele edifício uma finalidade que respeite a dignidade dos que ali estiveram encarcerados, apela a todos para que no dia 1º de Julho, às 10.30h, no Largo da Sé, se associem aos antigos presos políticos do Aljube para revindicar que se transforme a antiga prisão num espaço museológico, onde se celebre a resistência e a liberdade conquistada.

Saudações,
Lúcia Ezaguy

2006/06/28

Sobre a Saúde - curiosidades ...

Esta fotografia dos finais dos anos 30, em que os intervenientes são finalistas de um curso médico, sendo um deles o meu pai, apresenta-nos, de uma forma satírica, os três hospitais públicos existentes em Lisboa na época - S. José, Santa Maria e a Maternidade Alfredo da Costa.
Numa altura em que a reestruturação dos cuidados de saúde - SNS - está na ordem do dia, e em que parece não haver espaço para a ironia, é bom recordar que para levar a vida a sério não podemos perder a nossa capacidade de brincar.

2006/06/27

1º Debate promovido pelo MIC/Coimbra: A Crise da Democracia e a Coesão Social

Diálogos_1: A Crise da Democracia e a Coesão Social

Coimbra, Café Santa Cruz, 13 de Julho de 2006, 21 h

Com a criação do MIC/Coimbra vamos dar início a um conjunto de iniciativas na cidade e no distrito, procurando que os cidadãos reflictam connosco sobre diversos assuntos de natureza social e política. Assumindo-se embora como herdeiro das propostas apresentadas por Manuel Alegre na sua recente candidatura presidencial, o MIC pretende ser um movimento ainda mais abrangente, virado para o exercício da cidadania e sem exclusão de ninguém que se identifique com os ideais democráticos e de justiça social. Assim, diversos cidadãos e cidadãs, independentes ou filiados em partidos, foram convidados a colaborar neste ciclo de iniciativas, cujo primeiro evento é o que agora divulgamos. Convidamos todas e todos a vir DIALOGAR connosco no Café Santa Cruz

PROGRAMA

Abertura e apresentação do MIC/ Coimbra: José Faria Costa (Professor da Faculdade de Direito da UC)

Mesa Redonda
Moderador: José Faria Costa

Virgínia Ferreira (Professora da Faculdade de Economia da UC): «Democracia paritária e coesão social»
Jorge Leite (Professor da FDUC): «O direito do trabalho em saldo?»
Mariana Dias (Estudante): «Os jovens e a participação política»
Elísio Estanque (Professor da FEUC): «Para uma reinvenção da democracia e da cidadania»

Debate

Encerramento: Intervenção de Manuel Alegre

2006/06/25

Da Inibição à Participação - Resposta de Elísio Estanque a Catarina Misarela Rodrigues

Da Inibição à Participação

Num comentário de Catarina Misarela Rodrigues no nosso blogue, que se transcreve aqui, questionava-se acerca da participação pública e dos limites da democracia. Concordo em absoluto com ela quando diz que, mais do que a participação no MIC, importa motivar as pessoas para o envolvimento no debate publico. É de facto aí que reside a génese do revigoramento da democracia. É portanto através do exercício da cidadania activa, da democracia participativa, que poderemos reforçar e dar um novo ânimo à vida publica em geral. É por essa via que se pode "reinventar" a própria democracia representativa.

Para isso também é necessário denunciar alguns dos nossos políticos, quer pela fraca capacidade profissional e técnica, quer pela insensibilidade social, senão mesmo a aversão ao envolvimento activo dos cidadãos na política. Os tiques aparelhistas de muitos políticos reflectem, no fundo, essa espécie de "doença” portuguesa que se assume na inveja, na maledicência e nos comportamentos “tutelares" de quem se recusa a partilhar – os saberes, a responsabilidade, o protagonismo, a autoridade – com os outros que, sejam líderes ou subordinados, têm inteligência e podem contribuir positivamente para que os resultados do trabalho organizativo sejam melhores. A sua ficaria seguramente maior, para que todos possam ganhar com isso.

Há entre nós uma lógica de cariz feudal, em que cada um prefere ficar no seu cantinho e beneficiar com isso, nem que seja a expensas dos outros. Há uma enorme descrença e desconfiança em relação ao desconhecido. Um medo do amanhã. Uma insegurança angustiante. Uma espécie de dor colectiva, pessimista e alienada da realidade. Uma atracção ou desejo descontrolado de fuga para o vazio, que leva as pessoas a inebriarem-se e a esquecerem-se do seu próprio eu.

Este é o estado de espírito português na actual conjuntura. É preciso reinventar o Sujeito activo. O sujeito colectivo que queremos construir começar por ser o sujeito individual que sabe que, para existir, tem de saber viver e partilhar a existência com os outros. Falta-nos, pois, espaço para a comunidade, para a partilha, para a exigência e para a ousadia de podermos inquietar-nos colectivamente.

Por outro lado, é preciso não só convencer as pessoas dos limites da democracia, mas sobretudo da natureza frágil da democracia. Ou os cidadãos despertam para esse problema e são levados a acreditar que podem influenciar o destino das instituições, das colectividades e do país, ou o espaço da demagogia e a margem de manobra dos medíocres, dos oportunistas e dos populistas vai ganhando terreno até que o próprio sistema democrático deixe apodrecer todos os seus
alicerces. Há, com efeito, uma questão moral, um problema de valores, uma indefinição e apagamento das ideologias: questões e problemas que precisam de ser enfrentados e discutidos abertamente.

Elísio Estanque (Executivo da Comissão Coordenadora do MIC/Coimbra)


Comentário [editado] de Catarina Misarela Rodrigues a um post de 20/06

Tony Kushner, em "Dispair is a lie we tell ourselves" (2004), disse que, mais perigoso que a colisão da terra com uma supernova, é viver num mundo onde uma cambada de malfeitores governa e a maior parte das pessoas não tem acesso ao poder, ou tem acesso ao poder mas não sabe ou se esqueceu de que o pode usar e de como é importante usá-lo.

No discurso de Manuel Alegre, gostava de ver comentada a importância da participação das pessoas neste movimento cívico e, mais importante ainda, na vida política (se é que há outra). A "crise" da democracia passa pela questão da falsa imagem que o capitalismo vende de que somos eternamente livres, incluindo livres de não participar nas decisões do Estado; passa pela ideia errada de que a política é complicada e inacessível; pela ideia de que os políticos têm que entreter; pela ideia de que moral e política são universos separados.

Enfim, desculpem o desabafo e, já agora, a falta de acentos [corrigida], mas moro na Holanda e tenho pena de não poder estar aí.

As pessoas precisam de ouvir falar das grandes questões morais e políticas do Estado e precisam de ouvir falar, não de crise da democracia, mas dos seus limites. É preciso convencer as pessoas de que o direito a participar na vida política não é opcional, mas moralmente obrigatório. Precisam de ser lembradas de que têm mais poder do que julgam ter.

O Vendaval - publicado no Diário de Coimbra de 22 de Junho

Enviado hoje por Adelaide Chichorro para publicação no blogue

O Vendaval

O vendaval que afecta quem trabalha para o Estado levou-me no feriado a procurar descontracção num centro comercial. Optei por comida brasileira. Não para evitar a portuguesa, mas porque aquele era dos poucos locais onde os clientes não são obrigados a usar loiça descartável (resta-me um vislumbre de rebeldia, sem a qual não seria capaz de saborear o almoço ou sequer a vida). Ali havia a possibilidade, por um preço razoável, de somente escolher frutas e legumes, independentemente do peso. Porém, se o cliente preferir carne, o preço aumenta sensivelmente para o dobro. Uma medida só em parte correcta: é preciso que nos habituemos a comer menos carne, até por razões de saúde, prevenindo a bioacumulação de tóxicos. O feijão substitui-a, sem causar o mesmo impacto ambiental ao nível da produção. Mas como ali o preço depende do peso, comer apenas feijão preto com saladas e frutas faz com que o custo da refeição não difira muito do de um prato de carne. A carne possui, na cultura luso-brasileira, um valor muito elevado (bem como a comida cozinhada em geral, obrigando à existência de um fogão, que até dá o nome às casas – denominamo-las por «fogos»). Ora, também na nossa assimétrica e concentracionista economia, «a carne é Lisboa, e o resto é paisagem».

Tudo isto vem a propósito do vendaval que assola institutos públicos, universidades, politécnicos, escolas secundárias, primárias, maternidades, fazendo-nos cerrar os olhos para nada mais vermos a não ser futebol, amodorrados na toca, comfortably numb (Pink Floyd). Por via das restrições orçamentais que, em nome não sei de que desígnios, vêm deixando muitas instituições públicas a pele e osso, qualquer um dos que aí trabalham – se é que não pifou de vez – ocupa-se a não dar nas vistas, uma vez que pode ver-se na necessidade de arremessar para fora do barco o colega do lado, se confrontado com decisões do género «é ele ou eu». Em tais condições de concorrência (globalmente nada competitivas), típicas da sociedade da cotovelada para que nos andam a empurrar, quem cuida da capacidade de se associar? Quem se organiza para manter em bom estado o regime democrático? Quem fala ou critica? Quem estuda verdadeiramente certos assuntos? Quem se atreve a ser solidário?

Proliferam nas televisões e nos jornais nacionais os criticadores de serviço, pagos pelos sempre difusos patrões dos media, sem estarem sujeitos a concurso ou provas públicas. Postam-se (o termo poderia relacionar-se com «postura», mas também com as «postas de pescada» que expelem em abundantes ventuosidades articulatórias) à janela do Windows e analisam com minúcia enfadadamente negligé o povinho cá em baixo, minusculinho e muito aflito. São eles (os boys, os analistas e os «pareceiros») os que, ao mínimo sinal, imediatamente se arregimentam para, em catadupas de caracteres, nada de relevante dizerem e, à míngua de argumentos, lutarem contra um português menos formal, por norma equiparado a populismos ditos fáceis ou até a alguma agressividade. Num país onde todos julgam pertencer às elites, não é o povo quem mais ordena. Este apenas se vai governando como pode, de preferência de bico calado, porque o que dita as regras não é a «governança», mas antes o desenrascanço individualista e soez, ultrapassando em refinamento tudo o que, noutros tempos, tomaríamos à primeira vista por ficção.

Uma tal retórica é, por vezes, testada por uns franganitos penteados, tresandando a autoridade alheia, no sentido de trucidar quem se atreva a contestar certos dogmas da ciência, mesmo quando ela é retrógrada e inútil, para não dizer pusilânime – que sempre é um termo menos troglodita e que pode ser que passe (numa mulher, ser-se acusada de agressividade é o mesmo que ser atirada para as catacumbas da exclusão). Certas decisões, em regra tomadas por homens, são sobretudo de natureza política ou económica, e portanto não tão científicas, urgentes ou democráticas assim. Devemos pois questionar-nos sobre de que ciência se está a falar, e em que condições ela está a ser (des)feita, pondo o Estado contra si mesmo, cidadãos contra cidadãos, uns temas e problemas contra outros temas e problemas.

Com este vendaval de determinação irracional, como é possível lutar em Coimbra contra a co-incineração, ou seja, contra o piorzinho que nos lega a actividade profissional mal conduzida (e avaliada por quem?) de muitos desses tais que tanto bradam, por interposto articulista, contra as profissões ligadas ao Estado? Como é possível estar vigilante, caso essa Europa – a mesma cujo ténue vislumbre nos querem tapar – ponha de lado o respeito para connosco e nos envie vendavais de luxos inúteis e devoradores de energia, logo seguidos de vendavais de lixos, vendavais de ciclones verdadeiros, mailos respectivos tsunamis e coriscos, vendavais de tudo o que não tem préstimo? Como o lixo tóxico de todo o país e – já agora venha ele também – de boa parte dessa vasta Europa?

Já que não podemos fugir de Portugal (ou desta Coimbrinha ocupada com a vidinha), fiquemo-nos nos feriados (pena não termos o de Pentecostes) por uma «picanha» vegetariana, exclusivamente à base de legumes e frutas, porque mais cedo do que tarde vamos ter de aprender a governar-nos com essa nuvem de poeira que está para chegar, vinda desse enorme deserto de ideias que nos tapa os olhos. Havemos de a sentir na nossa «carne para canhão», cada vez mais sujeita a bombardeamentos, cirúrgicos claro, por esses hospitais.

Adelaide Chichorro Ferreira

Professora na Faculdade de Letras
Universidade de Coimbra

2006/06/21

Mais polémicas na Saúde... Os cidadãos observam!

Hoje, no jornal Centro (e noutros media)

Pedro Ferreira é professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Especialista em economia da saúde, coordena o Observatório Português dos Sistemas da Saúde. O OPSS publicou recentemente o seu 6º Relatório (Relatório de Primavera 2005), cuja leitura recomendamos.

Pedro Ferreira é membro do MIC/Coimbra

Transcreve-se um artigo do Jornal da Universidade (Maio 2006), assinado por Nelson Mateus, em que Pedro Ferreira aborda a actividade do Centro de Estudos e Investigação em Saúde (CEIS), que dirige, bem como outros assuntos da área da saúde

A avaliação da qualidade da prestação dos cuidados de saúde em Portugal constitui boa parte do trabalho do Centro de Estudos e Investigação em Saúde (CEIS) da Universidade de Coimbra. Num projecto que junta especialistas das Faculdades de Economia, de Medicina e de Farmácia são analisados os mais variados aspectos da área da saúde, desde as orientações políticas para o sector até às condições em que os serviços são prestados.

Com muitos anos a olhar atentamente para a saúde em Portugal, Pedro Ferreira, Director do CEIS, não hesita em afirmar que "as pessoas não dizem mal do tempo que estão com o médico", mas criticam o tempo de espera e a organização dos serviços. Um dos extensos trabalhos já realizados pelo CEIS foi um diagnóstico a todos os centros de saúde do país. De acordo com o responsável pelo Centro de Estudos, não se tratou de uma "análise à rede, mas ao impacto nos utilizadores". As conclusões já estão disponíveis há algum tempo e agora "falta que os centros de saúde peguem nos resultados" e procurem melhorar o que não está bem, acrescenta o Director do CEIS.

"Um dos problemas do nosso sistema de saúde é o acesso, não é o serviço prestado. Ainda há fortes défices no acesso", sublinha. Uma realidade que Pedro Ferreira explica, em parte, com a crónica falta de organização dos serviços de saúde no país. "A saúde nunca, ou raras vezes, foi considerada uma área estratégica em Portugal", acrescenta.

0 diagnóstico que o Director do CEIS faz das políticas de saúde é muito claro: "A preocupação dos Governos tem sido mais a poupança de dinheiro". Entende, igualmente, que o papel social dos serviços de saúde não é tido em conta pelos responsáveis políticos que esquecem também que "a saúde não é como qualquer outra área económica". Quando a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é, com frequência, questionada, Pedro Ferreira defende que "do ponto de vista do serviço" o SNS é sustentável, embora haja "muito para fazer" em termos financeiros.

Reconhecendo que se partiu de valores muito baixos, o responsável do CEIS destaca os resultados obtidos na melhoria dos serviços de saúde em Portugal nas últimas décadas. "0 crescimento da qualidade tem sido muito bom, temos avanços em todos os sentidos", sendo que os maiores problemas estão centrados "na falha de governação, na falta de estratégia".

MAIOR ESTUDO A NÍVEL MUNDIAL

Um trabalho que está praticamente concluído é o estudo que o CEIS realizou para avaliar a prevalência e incidência de úlceras de pressão, habitualmente designadas por escaras. Estas feridas surgem sobretudo em doentes que ficam acamados por períodos de tempo mais longos.
A análise desenvolvida pelo CEIS permite aferir a qualidade dos serviços prestados a esses doentes, já que um bom serviço conseguiria minimizar o aparecimento das úlceras de pressão. 0 extenso trabalho realizado passou pela avaliação do estado de cerca de 8o mil doentes, o que torna este estudo num dos maiores já realizados sobre o assunto a nível internacional.

COLABORAÇÃO COM 0 OBSERVATÓRIO

Além de responsável do CEIS, Pedro Ferreira desempenha também as funções de Coordenador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, entidade que agora está localizada em Coimbra. 0 Observatório não se assume como um fiscal das agenda política de cada Governo para a saúde, pretende antes analisar de forma objectiva o estado do sistema de saúde desde o nível da governação até ao serviço concreto que é prestado. A credibilidade do Observatório tem vindo a ser cimentada pela análise que realiza anualmente, cujos resultados são depois publicados nos já conhecidos relatórios de Primavera.

Segundo Pedro Ferreira, a mudança do Observatório para Coimbra vem "potenciar o trabalho do Centro de Estudos". Isto porque "o Observatório é o resultado do trabalho de pessoas que pertencem a diferentes instituições", e a proximidade com o CEIS faz com que quem trabalha no Centro de Estudos fique particularmente envolvido na análise que é desenvolvida pelo Observatório.

Tanto no caso do Observatório como do CEIS, um dos fortes contributos para o trabalho que é realizado vem do facto destas instituições integrarem pessoas de áreas profissionais distintas. "Numa área multidisciplinar como esta temos que tirar partido da formação variada das pessoas das várias áreas", sintetiza Pedro Ferreira.

A variedade possibilita que as questões sejam abordadas de diferentes formas que se complementam e permitem conclusões mais abrangentes.

CONSTRUIR A ÁREA DE ESTUDOS DE ECONOMIA DA SAÚDE

Foram necessários quase dez anos de existência do CEIS para que fosse formalizada a candidatura à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Pedro Ferreira assume a opção por um crescimento tranquilo do Centro de Estudos. "Nunca houve pressa, quisemos fazer as coisas com calma", sublinha.

Com a colaboração de um grupo de cerca de uma dezena de pessoas, o CEIS pretende ser um espaço em que "se juntam opiniões diferentes". "Nunca quisemos que o Centro fosse o local onde púnhamos os nossos trabalhos", continua Pedro Ferreira, que entende que o projecto "tem que se ir formando".

O CEIS desenvolve trabalhos em várias áreas, como é o caso da análise das políticas de saúde e governação - em que avalia, por exemplo, a governação hospitalar na Região Centro. A política do medicamento é outro campo de trabalho do Centro, com estudos sobre a regulação do medicamento, a caracterização da prescrição do medicamento ou dos custos do medicamento.

Um outro projecto que vem sendo desenvolvido é o da "criação em português de instrumentos de medição da qualidade de vida". Na prática, o CEIS trabalha critérios que já são usados noutros paííses e adapta-os à realidade nacional, de forma a criar parâmetros que permitam avaliar a qualidade de vida relacionada com a saúde.

À medida que os estudos do CEIS foram sendo conhecidos, o pedido de novos trabalhos foi aumentado, mas a falta de pessoas tem limitado a capacidade de resposta. Dinamizar a investigação na área de Economia da Saúde é um dos objectivos do CEIS. Daí que Pedro Ferreira destaque o empenho com que está a ser encarada a criação, na Faculdade de Economia da UC, desta área de estudos. Nesse âmbito vai agora ter início uma pós-gradução e existe já um mestrado em Gestão e Economia da Saúde. A aposta na formação nesta área acaba também por ser uma forma do Centro de Estudos criar condições para poder aumentar o número de colaboradores, uma vez que são formados mais especialistas nas matérias relacionadas com a Economia da Saúde.







2006/06/20

PETIÇÃO - NÃO À TRANSFERÊNCIA PERIÓDICA DO PARLAMENTO EUROPEU DE BRUXELAS PARA ESTRASBURGO!!

O MIC/Coimbra recebeu, via Alice Castro, o seguinte apelo

Saudações a todos !

Uma vez por mês e durante alguns dias, o Parlamento Europeu transfere-se de Bruxelas para Strasbourg por inteiro, com todos os seus colaboradores e toda a sua documentação. A única razão para este desperdício de 200 milhões de euros por ano deve-se à vontade da França. Todos os países da União pagam a conta! Nós também!

Presentemente, um determinado número de membros do Parlamento Europeu, pertencentes a diferentes partidos e países, iniciaram uma acção que visa acabar com este desperdício ridículo. É necessário recolher um milhão de assinaturas para que este assunto possa ser inserido na agenda da Comissão Europeia.

Já se recolheram mais de 380 000 assinaturas, mas é preciso um milhão!

Visite o site http://tinyurl.com/rjyfg e assine para se poder acabar com este abuso ridículo.

PS: não hesite em transmitir o conteúdo desta mensagem aos seus amigos, para provocarmos uma cadeia de bom senso

Pré-anúncio do debate “Diálogos_1 do MIC/Coimbra: Crise da Democracia e Coesão Social”

Realizar-se-á durante a primeira quinzena de Julho o primeiro debate do MIC/Coimbra, com a presença de Manuel Alegre e subordinado ao tema “Crise da Democracia e Coesão Social”. O evento, a ter lugar em data e local a anunciar em breve, terá a forma de um Diálogo, será moderado por um/a jornalista e terá um painel composto por figuras destacadas de Coimbra (a anunciar), ligadas aos temas em debate. Pretende-se, com esta e futuras iniciativas, estimular o debate político sobre assuntos nucleares da Cidadania, da Sociedade e do Estado, envolvendo activamente os cidadãos e cidadãs, com destaque para os mais jovens.

Resumo do Memorando da 1ª Reunião da Comissão Coordenadora do Núcleo de Coimbra do MIC

Realizou-se em 9 de Junho de 2006 a 1ª reunião da Comissão Coordenadora do Núcleo de Coimbra do MIC, tendo-se decidido, entre outros assuntos: 1) Realizar o primeiro debate do MIC/Coimbra, com a presença de Manuel Alegre e subordinado ao tema “Crise da Democracia e Coesão Social” (ver post com pré-anúncio); 2) Criar condições para a expansão do Núcleo, através da adesão de novos membros; 3) Reforçar o blogue como um instrumento central de comunicação e partilha de ideias, entre os cidadãos e os membros do Núcleo, bem como entre estes; 4) Fazer diligências para se constituir uma sede do Núcleo, num local central e de fácil acesso; 5) Designar um Executivo(ver FAQ).

2006/06/19

Prémio "Città delle rose" para o Prof. Pio de Abreu

José Luís Pio de Abreu é psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Publicou dois livros sobre psiquiatria, “O Modelo do Psicodrama Moreniano” (Climepsi Editores) e “Como Tornar-se Doente Mental” (Quarteto Editora). Este último valeu-lhe o Prémio de Ensaio para Autores Estrangeiros “Città delle rose” 2006, o que levou o Diário de Coimbra a publicar hoje uma extensa entrevista. Reproduzimos aqui a foto de capa e a nota de abertura da entrevista.

Pio de Abreu é militante do PS e membro da Margem Esquerda. Foi apoiante da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, tendo integrado a sua Comissão Nacional. É simpatizante do MIC.

A hipnose fascinou-o desde muito novo e acabou por determinar a sua opção por Medicina e, posteriormente, por Psiquiatria. Trinta anos depois da conclusão da especialidade, o psiquiatra Pio de Abreu escreveu o livro “Como tornar-se doente mental”. Esta obra polémica e cujo título – como alerta – não é para tomar à letra, acaba de ser galardoada com o Prémio de Ensaio para autores estrangeiros, em Itália. Em entrevista, Pio de Abreu fala sem tabus sobre as doenças comportamentais – como prefere em vez de doenças mentais -, e garante: “Somos condicionados na nossa maneira de pensar”.

HEPATURIX - JANTAR DE APRESENTAÇÃO

HEPATURIX
Associação Nacional das Crianças e Jovens Transplantados ou com doenças Hepáticas

JANTAR DE APRESENTAÇÃO
24 de Junho 2006 - 20h30m
Conj. Turística Três Pinheiros, Bairrada (Mealhada)

A necessidade de congregação de esforços de um grupo de pais de meninos transplantados hepáticos para suprir um sem número de lacunas de assistência para minimizar o sofrimento destes doentes crónicos levou à criação desta Associação.
Reuniremos elementos da classe médica, responsáveis por decisões políticas, e todas as pessoas que com intervenção directa ou de suporte ditarão o seu sucesso.
Destaca-se a presença do Sr. Prof. Linhares Furtado e da Sra. Dra. Isabel Gonçalves.

Informações e inscrições
hepaturix@sapo.pt

TM: 967893946 /256575225 ( horário de expediente )

2006/06/17

Lembramos


De Júlio Pomar (cima) e Paula Rego, com carinho

Saudamos




2006/06/13

A opinião de Manuel Alegre - jornal Público dia 13/06/2006

(clicar nas imagens para ver maior)

Manuel Alegre: Uma visão política do futebol, no Público de 9 de Junho

Selecção e liturgia

1. Fiquei surpreendido com a forma como 30.000 espectadores se despediram da selecção de sub-21 em Guimarães. Não somos ingleses e não é hábito nosso aplaudir quem é eliminado. Perguntei-me a quem se dirigiam quando gritavam: "Portugal, Portugal, Portugal." Seria àqueles jogadores que tanto os tinham desiludido ou à selecção principal, àquela que consubstancia agora uma esperança talvez desmedida? Pensei então que eles estavam, como Torga costumava dizer, a "entusiasmar-se com o seu próprio entusiasmo". É esse o milagre do Mundial: ele restitui aos povos, através das suas selecções, o perdido sentido da festa e da alegria. E também o sentimento de pertença a um país, uma comunidade, uma tribo. Porque não nos iludamos: é o antiquíssimo espírito da tribo que renasce dentro de nós a pretexto da selecção. O principal mérito de Scolari foi o de ter percebido isso. Ele criou uma nova liturgia: bandeiras, hino, cachecóis. Convenceu os portugueses de que cada um faz parte da selecção e que a vitória depende do que cada um e todos fizerem, pondo uma bandeira à janela, um cachecol ao pescoço, comprando um relógio da federação ou rezando uma oração, de preferência à Senhora do Bom Sucesso. O resto virá por acréscimo. Como se tão ou mais importante do que o jogo jogado no campo fosse o entusiasmo cá fora, a fé, a paixão, a entrega dos portugueses à sua selecção. Claro que isto não chega, como se viu na eliminação dos sub-21. Mas este estado de espírito, independentemente do resultado final, é já, em si mesmo, uma vitória. Uma vitória contra a rotina, contra o desalento, contra a crise, o desemprego e a insegurança, contra o vazio e a ausência de causas, de sonho e de projectos. E até mesmo contra o fatalismo e a descrença dos portugueses em si próprios. A selecção de futebol é hoje um factor de reidentificação, a causa que já não há, o sonho perdido. É mau? É bom? É assim. E é talvez melhor que nada.
Claro que bancos e grandes empresas também já perceberam e por isso uns e outros aparecem agora com as cores da selecção. E por isso a febre dos anúncios, todos eles de verde e vermelho e de quinas ao peito.

2. Os portugueses oscilam entre uma visão megalómana do seu país e o negro fado fatal. Num ápice passam da euforia à disforia. Mas é sintomático que, apesar de várias frustrações, a esperança na selecção tenha renascido daquilo a que Antero de Quental chamava "uma atonia nacional". Horror ao vazio. Mas não só. Não sei se Scolari é ou não um bom treinador. Sei que tem um talento raro para liderar um grupo e para as relações públicas, para o marketing, para a mobilização popular. Se se metesse na política, dificilmente perderia uma eleição. Sei também que ele fez da selecção um clube, o seu clube, o nosso clube, colocando-a acima de outros clubismos e dos nossos tradicionais e doentios sectarismos. E é por isso que os adeptos da selecção são diferentes dos que normalmente assistem aos jogos do campeonato nacional. Com a selecção estão famílias inteiras, velhos e novos, avós, pais e netos. E mulheres, muitas mulheres. Talvez nem todos gostem de futebol. Gostam da selecção. Ou do hino cantado em coro. Ou da bandeira. Ou simplesmente de estarem juntos e partilharem um mesmo sentido de festa e de emoção.

3. As escolhas de Scolari não me surpreenderam. Era óbvio que ele nunca convocaria jogadores que já não fizessem parte do grupo. Concorde-se ou não (e eu nunca concordei, por exemplo, com a exclusão de Baía), ele foi coerente com a sua filosofia e o seu método, escolheu os já escolhidos, aqueles que conhece bem, em quem confia e que nele confiam. Mesmo que não tenham jogado muito nos seus clubes ou que estejam um pouco tocados ou, como no caso de Costinha, sem ritmo competitivo. Não importa. Para ele, o que conta é o espírito da selecção. E escolheu aqueles que lhe dão essa garantia. Os que, de certo modo, já lá estavam. Nomeadamente Costinha, grande jogador, indispensável no balneário e, como se viu contra Cabo Verde, no meio-campo. Scolari acredita, e eu também, que a garra de Costinha vai conseguir o milagre de o pôr em plena forma.

4. Eu preferia que Portugal estivesse num grupo com adversários supostamente mais fortes: Inglaterra, Holanda, Espanha. Não duvido que, nesse caso, a selecção jogaria ao seu ritmo, com total concentração e aquele rasgo que, em outras circunstâncias, nos levou a dobrar vários cabos. Afligem-me os grupos ditos “fáceis”, Primeiro, porque já não os há. Depois porque, por muito alertados que estejam, os jogadores têm inconscientemente tendência para abrandar o ritmo e esperar que aconteça. Ora, como se diz numa velha canção brasileira, "esperar não é saber". Não sei se Scolari se lembra da letra e da música. Se sim, aconselho-o a mais esta pequena liturgia: pôr a selecção a cantar "quem sabe faz a hora / não espera acontecer". Eu não subestimaria Angola nem o Irão. Se conseguirmos vencer esses jogos, para mim os mais difíceis, tudo fica em aberto e pode ser, parafraseando Píndaro, que "o incrível se torne crível".

5. Cristiano Ronaldo é, sem dúvida, um jogador de excepção. Pode, num repente, desequilibrar uma partida. Num sentido positivo ou negativo. Com um golpe de génio e um golo impossível ou com uma atitude irreflectida susceptível de cartão vermelho. Esperemos que Ronaldo jogue como no Manchester, para a equipa. E não para ele nem para o aplauso fácil. Um Ronaldo em forma, maduro e inspirado, será o principal trunfo de Portugal, aquele que, em certos momentos, poderá fazer a diferença.

Penso, no entanto, que os jogadores nucleares da selecção continuam a ser Figo e Deco, os que pensam o jogo e organizam a equipa e, sem menosprezo pelos outros, lhe dão um inconfundível toque de talento e classe. Já sei que ninguém é insubstituível, mas o nosso problema é que Figo e Deco, por enquanto, são. O Brasil tem no banco outra equipa, Portugal tem suplentes de grande qualidade. Mas não tem outro Figo nem outro Deco. Talvez por isso seja tão importante o 12° jogador, nós todos. Porque não sei se, além do meu amigo Eduardo Prado Coelho, já se deram conta de que estamos todos equipados, temos todos nas costas o n° 12, vamos todos para o banco e, a qualquer momento, qualquer um de nós pode ser chamado a entrar em campo. ∎ POETA E DEPUTADO

2006/06/12

PREVENÇÃO RODOVIÁRIA

Sobre uma notícia do "Expresso" relativa às campanhas de Prevenção Rodoviária, e após constatação da quase inexistência de tráfico rodoviário em Coimbra quando Portugal joga no Mundial, parece-me que uma das formas de diminuição da sinistralidade seria termos uma selecção nacional de futebol a jogar durante todo o ano.
Desde que não chova em Coimbra, é óbvio...
[AC]

2006/06/11

Um capitão de Abril do MIC/Coimbra, hoje no jornal Centro

Memória e Cidadania

Segundo uma notícia publicada pelo "Público", em 6 de Maio último, ao comentar o relatório "Power to the People" (Poder ao Povo), divulgado no passado mês de Fevereiro, o jornal The Independent concluía que a democracia no Reino Unido estava doente.

O relatório chamava a atenção para os números crescentes da abstenção nos actos eleitorais e a diminuição das inscrições nos partidos políticos, reflectindo o desencanto pela política por parte do público em geral, particularmente preocupante nas camadas jovens. Na origem da situação estava o sentimento generalizado de que o voto não faz a diferença, que os deputados representam mais o partido do que os constituintes, que o poder está demasiado centralizado no governo, e que tudo se joga entre dois partidos entre os quais, progressivamente, só se encontram diferenças à lupa.

Se idêntico estudo tivesse sido feito em Portugal, as suas conclusões teriam sido, seguramente, ainda mais inquietantes, pois as taxas de mobilização cívica dos portugueses são bastante inferiores às correspondentes no Reino Unido, e noutros países europeus, com percentagens de participação dos jovens nos actos eleitorais significativamente abaixo da média nacional. As razões serão, provavelmente, muito idênticas às do Reino Unido, agravadas por uma longa tradição de autoritarismo e pela escassa tradição de democracia participativa em Portugal, exceptuando alguns raros momentos altos, de que foram exemplos a explosão de cidadania no 25 de Abril e a grandiosa mobilização cívica em torno da causa de Timor-Leste.

Passados trinta e dois anos sobre a data em que «emergimos da noite e do silêncio», regressou a desilusão, a angústia e o desespero, a falta de confiança e de esperança no futuro, a par do descrédito do sistema político, da crise de identidade colectiva e do reaparecimento do «sebastianismo» na vida política nacional. Será que Eduardo Lourenço terá razão quando fala da descentragem permanente dos portugueses e da sua total ausência de interesse pela «ideia de Portugal» que tenha qualquer conteúdo além do da sua representação? Ou não será esta situação resultado, mais propriamente, de um propósito deliberado por parte de uma certa classe política, mais interessada em reduzir a democracia à sua componente representativa e em esquecer o valor da cidadania enquanto princípio fundamental legitimador da acção política?

Perante este cenário sombrio, parece pertinente perguntar até que ponto é que o passado será um peso morto para os portugueses. É que a crise nacional assenta, na sua génese, numa preocupante falta de memória sobre o que foi a longa ditadura salazarista: quarenta e oito anos de totalitarismo, assassínio, degredo, prisão arbitrária e tortura dos opositores políticos, repressão violenta, privação de direitos fundamentais, miséria em larga escala, analfabetismo generalizado, emigração clandestina e uma guerra colonial onde se exauriram, durante treze anos, gerações sucessivas de jovens portugueses e africanos. Mas assenta, igualmente, numa idêntica falta de memória sobre as circunstâncias que favoreceram a emergência do Estado Novo.

A desgraça da I República residiu, primeiramente, no próprio Partido Republicano. Os seus dirigentes não promoverem as transformações económicas e sociais do País nem o alargamento das bases populares de apoio ao novo regime e foram alienando progressivamente a simpatia que haviam conseguido no 5 de Outubro. A sua actuação política, especialmente a partir dos anos vinte, falha de grandeza nos objectivos e excessivamente corruptora, seria ditada, sobretudo, por uma ânsia desmedida de poder, que lhes valeria uma hostilidade crescente. Apesar de uma retórica democrática, acabariam por se quedar numa política de imobilismo, a qual, renegando a histórica feição progressista do Partido Republicano, conduziria ao seu fraccionamento sucessivo, ao isolamento da sociedade e à transferência do apoio da população para o lado dos conspiradores.

Num momento em que passou mais um aniversário do pronunciamento militar de 28 de Maio de 1926, é oportuno lembrar que, naquela altura, a maioria republicana esquecera já os ideais da liberdade e da cidadania que haviam sido a sua bandeira. Sonhando com uma «nova ordem de coisas», acreditava então mais nas virtudes de uma «ditadura de reformas». Quase todos queriam ordem pública, estabilidade politica, equilíbrio financeiro, eficiência económica, governo de competência, numa lógica proclamada de salvação nacional - o mesmo, precisamente, que pedia toda a oposição anti-republicana.

Estará o regime democrático fundado em 25 de Abril a seguir os passos da I República?

Mais memória e cidadania, precisa-se! Para que o relógio da História não volte a andar para trás.

Hoje no Diário de Coimbra e Centro

Artigo publicado no DC. Saiu, na mesma linha, outro artigo no Centro (enviado a pedido, ver contacto em FAQ).


2006/06/10

Falar de Futebol

Quatro conversas sobre futebol; muitas maneiras de ver o desporto-rei. Na Almedina da Praça da República em Coimbra, dias 8, 15, 20 e 22 de Junho, sempre às 18h, muitos pretextos para conversar sobre Futebol.
Mais informações em Ideias Concertadas.
[AJS]

2006/06/09

A boa UC

Sim, esta é uma das (muitas) facetas boas da velha Universidade de Coimbra. As manifestações culturais - trabalho a todos os títulos notáveis do Pró-Reitor João Gouveia Monteiro -, o culto da inovação e da qualidade que já é visível, a modernização que já espreita um pouco de todos os lados e o convívio com os cidadãos constituem motivos de orgulho da Cidade. Infelizmente, estas facetas ainda convivem (mal) com os resquícios do passado de má memória, caricaturadas nos desenhos do Doutor João Carlos (ver post abaixo). Restos de aristocracia, desprezo pelos alunos... Mas ontem à noite vivemos mais um momento mágico, no ambiente único que é o Páteo das Escolas em noite com estrelas (e meteoritos!). A Reitoria e a Cidade estão de parabéns. (LMR)

Transcreve-se um texto publicado ontem no Público Centro, assinado por Maria João Lopes.

Noite de Ópera
no Páteo das Escolas


Mais de 20 mil livros foram publicados sobre ele ou sobre a sua obra. Em todo o mundo. Wolfgang Amadeus Mozart, o génio da música, faria este ano, se fosse humanamente possível, 250 anos. Não é. Mas a música que compôs está cá e pode celebrar-se.


A história começa nas ruas de Sevilha, Espanha, do século XVIII. Leporello, um criado, espera do lado de fora da casa do velho commendatore enquanto o seu patrão, Don Giovanni, está no interior. Como sempre, Don Giovanni tenta seduzir uma mulher: Donna Anna, a encantadora filha do commendatore. O Páteo das Escolas da Universidade de Coimbra (UC) acolhe hoje a ópera Don Giovanni, de Wolfgang Amadeus Mozart, numa altura em que se comemoram os 250 anos do nascimento do compositor austríaco. No concerto participará a Orquestra do Norte, dirigida pelo maestro José Ferreira Lobo, o Orfeão Académico de Coimbra, responsável pela componente coral do espectáculo, e vários solistas portugueses. A encenação é de Carlos Avilez.


Depois de Inês de Castro, de Giuseppe Persianni, de Tributo a José Carreras, com o próprio tenor, em 2003, e de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, em 2004, o espectáculo representa o regresso da iniciativa Noites de Ópera de Coimbra ao Páteo das Escolas. Contou com a colaboração da reitoria da UC, do Instituto Superior de Engenharia do Porto e do Centro de Investigação em Meio Ambiente, Genética e Oncobiologia. Será esta última entidade, sediada na Faculdade de Medicina da UC, que receberá a totalidade das receitas provenientes do espectáculo. Carlos Avilez já havia sido o responsável pela encenação de Inês de Castro e de O Barbeiro de Sevilha. Para além destes espectáculos, José Ferreira Lobo dirigiu ainda a Orquestra do Norte e o Coro dos Antigos Orfeonistas da UC no Tributo a José Carreras. O concerto levará ao palco um elenco inteiramente português.

Meditação, um tratamento eficaz da irritação

Saiu ontem no Diário de Notícias. Ver também notícia do Público: "Alegre sugere ao PS que medite sobre últimas presidenciais"
Outra vez: força, companheiros deputados! (LMR)

Comentário sobre o debate político e o MIC, ontem no CP






Em "Comentário", o jornalista Luís Santos defende a realização de debates políticos frontais, valorizando o potencial do Núcleo de Coimbra do MIC. É uma opinião que confirma o carácter aberto e democrático do Campeão das Províncias, um jornal semanal com uma versão completa on-line, actualizada diariamente!

2006/06/08

PETIÇÃO 2 - ASSINAR, UM FAVOR À LÍNGUA-MÃE!

Ver o post e link no blogue ABRUPTO


PETIÇÃO EM FAVOR DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS EM PORTUGAL


No seguimento da recente reorganização da rede escolar e dos agrupamentos de disciplinas, o ensino das línguas clássicas passou a residual nas escolas secundárias, e em muito poucas, e corre o risco de desaparecer em breve do ensino superior.

Razões de ordem financeira limitam a oferta das línguas clássicas e das línguas e literaturas estrangeiras, também elas em grande perigo em todos os níveis de ensino, apesar de existir um escol de professores e especialistas, até de nível internacional, constituído com grande investimento económico e financeiro, em áreas que são índice de desenvolvimento e fazem parte da tradição cultural dos países que pretendemos igualar.

Ignorando que “a matemática e as ciências não formam cidadãos”, como lembrou Manuel Damásio (Expresso, 10/03/2006), os responsáveis políticos arriscam-se a privar os jovens portugueses da possibilidade de conhecer as raízes comuns da identidade nacional e europeia e dos valores que constituem a génese do património cultural, ético e cívico ocidental.

É este também o parecer do médico e professor Nuno Grande, no seu comentário a propósito da herança clássica e do livro de George Steiner, A ideia de Europa (JN, 27/04/2006): “a recuperação dos direitos humanos, da solidariedade e da fraternidade com todos os povos, com respeito pelas diferentes identidades culturais ... são determinantes da dignificação da Humanidade, a qual se encontra na percepção da sabedoria, na demanda do conhecimento desinteressado e na criação da beleza”.

Ora, os valores enunciados constituem marca da própria identidade europeia, conforme recordou recentemente J. M. Durão Barroso, Presidente da Comissão Eurpeia (SIC – Notícias, 13/05/2006), e representam o essencial da formação humanista e clássica, razão suficiente para não serem eliminados do sistema educativo os seus instrumentos, as línguas clássicas.

Os signatários, cujos nomes se seguem, fazem, pois, um apelo aos nossos governantes e à opinião pública:

- pedimos que não reneguem as próprias raízes greco-latinas de uma concepção nobre da política e da sociedade, ética e à escala humana;
- reivindicamos o restabelecimento de condições que facultem a todos os jovens a possibilidade de estudarem as línguas e as culturas clássicas em todos os níveis de ensino, das escolas básicas e secundárias às politécnicas e universitárias.

Promotores:
APEC — Associação Portuguesa de Estudos Clássicos
Instituto de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra
Departamento de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa

PETIÇÃO - ASSINAR JÁ!!

UMA(UNHA) RUA(RÚA) PARA O ZECA AFONSO EM SANTIAGO DE COMPOSTELA!



Eu já assinei. Sérgio Godinho, José Mário Branco, Luís Cília, Rui Pato, Francisco Simões, Ivan Lins, Pi de la Serra, José Fanha, Lídia Franco, Helder Costa entre outros, também. Já somos mais de 2000.

O prazo para recolha de adesões termina a 10 de Junho. DESPACHEM-SE!!!

Não custa nada dar uma forcinha a estes galegos (Xóan Guitian, Benedicto Garcia e Arturo Reguera López), que eles merecem . Assinem e divulguem. Clicar no link abaixo e assinar o formulário de adesão:

http://www.ghastaspista.com/novas/ruazeca.php

(Alice Castro)

Reacções do lado de cá


Comentário do José António Bandeirinha quando nos enviou a foto: “Eis uma das razões pela qual é útil continuarmos a preservar (e a lutar por) uma ideia ancestral de Cidade!!! Convenhamos que esta é forte…”. Reacção instantânea da Alice Castro quando viu a foto: “Tem piada, não me lembro de ter visto esta fotografia no Admirável Mundo Novo do Aldous Huxley, mas só pode ter sido por falha minha... Uma das minhas dúvidas é que não sei escolher o lado onde quereria viver, mas penso que é talvez por isso, para não ter que escolher entre situações impossíveis, que a ProUrbe [poderia ter dito o MIC] existe.” Concordo com ambos. Estou certo que não levam a mal o facto de ter tornado públicos os seus comentários sem consulta prévia (LMR)

Afinal o MIC irrita! – Ontem, no DN

Irrito-me, logo existo. Ou seja, fico a saber que vivo. A desinquietação parece ser filantrópica… Força com as iniciativas legislativas dos cidadãos, companheiros deputados! (LMR)

Em publicação no DIÁRIO DE COIMBRA

A política, o Aparelhismo e o Elitismo

Elísio Estanque
Militante do PS e membro do MIC - Coimbra

Há uma grande confusão na cabeça de alguns dos nossos políticos profissionais, designadamente nas estruturas do PS de Coimbra. Confundem a vontade de debater ideias com atitudes de desrespeito para com o povo e para com os eleitos, e acusam os que ousam exprimir publicamente as suas ideias de “vaidade pessoal” e de “elitismo”.

Toda a gente sabe o preço que a Europa do século XX pagou quando os cidadãos se deixaram arrastar pela demagogia anti-elites conduzida por diversos movimentos e doutrinas populistas e integristas, que se arrogavam ter o exclusivo de falar em nome do povo. Mas, pelos vistos, há ainda responsáveis ou pseudo-dirigentes que ignoram isso. Nas suas mentes brilhantes a democracia deveria limitar-se ao exercício do voto e ao direito das bases plebiscitar as suas propostas apresentadas ciclicamente nos actos eleitorais (seja no plano partidário seja na vida democrática em geral). É este excesso de formalismo que está a perverter a eficácia e o funcionamento orgânico dos aparelhos partidários.

Convém começar por distinguir entre “aparelho” e “aparelhismo”. As estruturas organizativas e os regulamentos burocráticos são necessários, desde que não se tornem factores de bloqueio e de entropia do sistema. O “aparelhismo” é, por isso, o conjunto de factores, de forças, de jogos de poder, de redes de cumplicidades e de interesses que corrói as instituições à medida que elas crescem. Funciona segundo os princípios perversos da burocracia, tendendo a “esquecer” os objectivos estratégicos e desperdiçando as energias num conjunto de acções e comportamentos ritualistas que – objectivamente – têm como função manter o poder dos dirigentes e das oligarquias instaladas (leia-se Robert Michels, Para uma Sociologia dos Partidos Políticos). Ainda que por vezes os dirigentes afirmem – em abstracto – o respeito pelas minorias e os “derrotados”, sempre que essas minorias passam à acção e criticam a referida lógica aparelhística, logo saltam a terreiro na defesa do “magnífico” funcionamento das máquinas partidárias que eles próprios dirigem.

Os cidadãos independentes ou filiados no partido não têm o direito de contestar a acção dos dirigentes, visto que estes são os legítimos representantes das bases. Segundo tais raciocínios as oposições não teriam direito de existir, sobretudo quando a sua voz se tornasse incómoda para a maioria. Importa recordar que, no actual contexto político, a democracia participativa tem de ser vista como um complemento e não como um factor de concorrência da democracia representativa. Só com a ajuda da primeira é que a última poderá ser consolidada. Isto é um facto óbvio, mas muitos políticos teimam em não querer percebê-lo nem aceitá-lo. O exemplo da candidatura de Manuel Alegre, que espelhou o pulsar crítico das bases e o potencial de acção cidadã face à esclerose burocrática instalada nos grandes partidos, pelos vistos, ainda não foi suficiente para que daí se retirassem as devidas ilações. Em vez de servir de lição aos que se julgavam donos dos votos e da vontade dos militantes, essa parece ter sido, para alguns, uma experiência traumática que só acicata o seu irracional desejo de vingança.

Qualquer democrata percebe que os partidos de esquerda só teriam a ganhar se soubessem ouvir as vozes críticas dos cidadãos e dos seus militantes. Qualquer pessoa de bom senso entende que os partidos só podem revitalizar-se e renovar-se se souberem estimular a discussão de ideias. Mas a mentalidade vigente em muitos quadros partidários – seja ela inspirada em Maquiavel ou de matriz soviética – tende a ver uma conspiração e a estremecer sempre que alguma coisa mexe para além do seu controle. Compreende-se. Em muitos casos trata-se de pessoas que desde há 30 anos têm responsabilidades organizativas, esgotam-se no tarefismo e no networking do dia-a-dia e, por isso, não têm tempo para a reflexão e para o pensamento crítico. Desenvolveram um estilo formatado pelos cargos de responsabilidade que ocuparam ao longo do tempo e pela reverência das bases de quem se julgam eternos tutores e protectores. Agarrados que estão à sua pequenina migalha de poder e de tão enleados nas teias de influência e de interesses que eles próprios tecem, nem sequer percebem que a sua senda persecutória em relação às supostas “elites” só põe a nú o seu absoluto vazio de ideias.

Para concluir: uma coisa são as elites, outra bem diferente é a mentalidade elitista. Obviamente que os dirigentes capazes e dinâmicos – com competência técnica, fiéis aos valores do partido e com conhecimentos e capacidade de liderança – não têm que nascer no seio da elite, mas devem ter oportunidade de poder integrá-la. Do que o nosso país mais carece, aliás, é de novas lideranças locais e de processos expeditos de renovação das elites. E é através desse processo de renovação permanente que a democracia se reforça, sobretudo se o mesmo for transparente e participado por todos (ou pelo maior número possível). Mas isso exigiria que os partidos democráticos soubessem reconhecer os seus vícios, bem como recompensar o mérito e a capacidade profissional e política dos seus militantes de base. Seria preciso que o princípio da meritocracia fosse aplicado. O que por sua vez obrigaria a varrer dos partidos essa mentalidade que ainda vê o país como se de um sistema de castas se tratasse, e o partido como se fosse um regimento militar. Pode parecer paradoxal mas uma tal mentalidade, que tanto invoca o nome do povo, revela-se afinal uma perversa combinação entre o elitismo mais conservador e o populismo mais demagógico.

Adenda: Num artigo recente publicado no Diário as Beiras, um dirigente local do PS resolveu acusar-me de pertencer às “pretensas elites” que se consideram “acima dos próprios portugueses”, e ao mesmo tempo – pasme-se (!) – atacar-me por ser “alguém que ao assentar praça num passado recente, talvez gostasse de ser considerado general”. Ora, tais palavras dizem tudo acerca de quem as escreveu. Sem comentários.

2006/06/06

Hoje no Diário As Beiras



Antes e Depois

Recebido de um amigo (AD). No comments! (LMR)

Aberração portuguesa na Galiza!

Esta é a ditosa pátria minha amada

Tirei esta fotografia na Galiza durante o fim de semana. Será impressão minha, ou o cartaz permite-nos supor que:

1) Os industriais portugueses do mobiliário não acreditam na vitória da selecção portuguesa?
2) Os clientes galegos confiam na vitória portuguesa?
3) A bandeira nacional se converteu num adereço futebolístico?
4) O prestígio dos produtos portugueses é proporcional ao número de golos dos nossos futebolistas?
(Pedro Bingre)

Artigo no Público (hoje) sobre a conferência Envelhecer, da Invisibilidade à Exclusão


Alegre quer transformar debates do MIC em projectos de lei

Movimento debateu o envelhecimento. Deputado do PS confessou-se
"incomodado" com os relatos

Nuno Sá Lourenço

O deputado socialista e candidato derrotado à Presidência da República, Manuel Alegre, anunciou ontem, no segundo encontro do Movimento Intervenção e Cidadania (MIC), que tenciona aproveitar algumas das recomendações feitas nos colóquios para as transformar em iniciativas legislativas.
Manuel Alegre garantiu no final da conferência Envelhecer, da Invisibilidade à Exclusão que vai apresentar, o mais tardar, "até ao início da próxima sessão legislativa", um projecto de lei para "aumentar a licença de paternidade e torná-la idêntica aos países mais avançados da Europa", ideia avançada na última reunião temática do MIC.
O deputado afirmou que tanto deputados "de grupos parlamentares como membros do Governo manifestaram sua concordância" com uma iniciativa que proponha a subida da licença para as duas semanas num espaço de dois anos".
"Os cidadãos podem agir através de petições, mas eu próprio estou disposto a ajudar", afirmou Alegre, no final do debate, depois de se confessar "incomodado" sobre o que ouviu acerca das condições de vida dos idosos portugueses.
Os depoimentos da jurista Paula Guimarães e do membro da APAV João Lázaro foram os mais contundentes para pintar o "quadro muito negro" que Alegre reconheceu existir na área.
Abordando a questão dos direitos dos mais idosos, Paula Guimarães falou de situações que a "envergonhavam" enquanto cidadã portuguesa. "Não quero estar a mentir, mas penso ser seguro dizer que mais de 50 por cento dos idosos institucionalizados são-no contra a sua vontade, sendo alvo até de crimes de sequestro, sendo dopados para se manterem no local, tudo isto com conhecimento da segurança social".
Outra situação relatada pela jurista foi a dos pacientes de Alzheimer. “Existem em Portugal 100 mil pessoas em situação de incapacidade, a maioria devido a Alzheimer. Apenas um por cento destas tem representação judicial", lamentou, depois de elencar os atropelos diários aos direitos destes cidadãos. Desde o "espaço na família, negado à pessoa mais idosa" à decisão de "ficar em casa ou ir para uma instituição".
João Lázaro debruçou-se especificamente sobre crimes contra os mais idosos. Apresentou-os como mais vulneráveis devido à idade e ao isolamento, identificando como local do crime a família, a instituição (lar) ou a rua. A violência e os castigos, a imposição do "como deve vestir, quando se deve deitar", os regulamentos internos, as humilhações e a retirada da gestão da pensão foram alguns dos crimes perpetrados pelos "dois grandes tipos de agressores": a família e os responsáveis pelo seu tratamento. ∎

Para mais informação e comentários clique aqui

2006/06/05

Comunicado do MIC/Coimbra à imprensa, enviado hoje

Criação do MIC / Coimbra

Em reunião na passada sexta-feira, dia 2 de Junho, em Coimbra, foi decidida a criação do Núcleo de Coimbra do MIC – Movimento de Intervenção e Cidadania do Distrito de Coimbra. Com a presença de mais de 20 participantes, foi discutida a necessidade do lançamento do Movimento no distrito, dando sequência aos princípios orientadores da candidatura presidencial de Manuel Alegre.

Numa reunião bastante participada e com a presença de um grupo muito heterogéneo de pessoas, com destaque para o significativo número de jovens, foram expressas algumas das preocupações comuns e estabelecidas algumas das linhas de acção do MIC/Coimbra para o futuro próximo.

Quanto às primeiras, assinalou-se a situação deprimente que tem marcado a Cidade e a região de Coimbra nos últimos anos em diferentes domínios, o refluxo das iniciativas cívicas e políticas do país, bem como o défice de peso político de Coimbra junto do poder central. Tal situação é preocupante, exigindo por isso respostas adequadas dos cidadãos e das forças vivas da sociedade civil. É portanto fundamental dar sequência à vontade expressa de muitos cidadãos e cidadãs, filiados ou não em partidos políticos, que se identificam com as preocupações cívicas e políticas do MIC.

Quanto às iniciativas a promover, decidiu-se que deverão assumir variadas modalidades, privilegiar a imaginação criativa e, sobretudo, não ficarem circunscritas aos habituais públicos urbanos e politizados, devendo antes ir ao encontro dos segmentos mais carenciados da população, designadamente os grupos excluídos e das comunidades segregadas. Como movimento de esquerda que é, o MIC/Coimbra tem como preocupação prioritária colocar na agenda os temas sociais e envolver a classe trabalhadora nas suas iniciativas.

Assim, foi decidido programar as actividades do Movimento em duas fases. Num primeiro momento, promover-se-á um grande Debate de âmbito nacional, patrocinado pelo próprio Manuel Alegre, em que serão discutidos problemas cruciais do país na actualidade – o papel do Estado e a crise da democracia, a corrupção, o emprego, a exclusão e as desigualdades, o desenvolvimento do interior e o combate à desertificação – com a presença de diversos convidados e nomes prestigiados nas referidas áreas. Numa segunda fase, o MIC/Coimbra organizará um conjunto diversificado de acções a nível local.

Foi igualmente estabelecida a necessidade de promover a descentralização do Movimento, de manter estruturas flexíveis e de estimular a criação de núcleos locais nas diversas localidades e cidades da região.

O MIC/Coimbra privilegiará a atenção aos novos meios informáticos de comunicação, dinamizando redes de acção através do chamado “ciberespaço”. Foi assim decidido criar de imediato um blogue tendo em vista a divulgação das nossas iniciativas e a partilha interactiva de ideias com os cidadãos, sem descurar no entanto a necessidade de se estabelecer um contacto directo com as populações, sobretudo com os segmentos sociais info-excluídos. O endereço do blogue, que pode ser acedido desde já, é micporcoimbra.blogspot.com.

Foi eleita por unanimidade uma Comissão Coordenadora com a seguinte constituição: Alda Salgado, Ana Catarina Aidos, Alice Castro, Elísio Estanque, Fernando Rodrigues, Henrique Reis, Ilya Semionoff, José Ricardo Nóbrega, Luís Martinho do Rosário, Mariana Dias, Pedro Monteiro, Rosa Pita, Rui Roque e
Teresa Portugal.

Coimbra, 5 de Junho de 2006

2006/06/04

Irreverências


[João Carlos Celestino Pereira Gomes, conhecido por Doutor João Carlos (1899-1960). Médico, higienista, desenhista e ilustrador]
As irreverências comandam a vida. O problema, nestas, é se ainda espelham a realidade actual...
(LMR)

Assembleia Constituinte do Núcleo de Coimbra do MIC

Realizou-se em Coimbra, no passado dia 2 de Junho, a Assembleia Constituinte do Núcleo de Coimbra do MIC. Reuniu algumas dezenas de companheir@s, que discutiram vivamente os objectivos e acções próximas do MIC/Coimbra. Foi eleita uma Comissão Coordenadora, cuja composição se indica. O entusiasmo foi grande e a vontade de participar maior, estando muitos jovens presentes! Foi aprovada a realização de um grande evento de lançamento público do MIC/Coimbra, ainda este mês e com a participação de Manuel Alegre. Mais informações na acta que será publicada no blogue, bem como na nota à imprensa que será emitida em breve. Apela-se ao recrutamento activo de novos membros, que formalmente já ultrapassam os 60. Afinal Coimbra foi a cidade que mais votos deu a Manuel Alegre! Temos condições para ter centenas ou mesmo milhares de associados...

MEMBROS DA COMISSÃO COORDENADORA DO MIC/COIMBRA: Alda Salgado, Ana Catarina Aidos, Alice Castro, Elísio Estanque, Fernando Rodrigues, Henrique Reis, Ilya Semionoff, José Ricardo Nóbrega, Luís Martinho do Rosário, Mariana Dias, Pedro Monteiro, Rosa Pita, Rui Roque e Teresa Portugal

Estátua Manuel Alegre

Aqui ficam duas fotos de nossa autoria da estátua de homenagem da cidade de Coimbra a Manuel Alegre, localizada no Parque Verde do Mondego:



(Mariana Dias e Pedro Monteiro)

2006/06/01

Entrevista de Manuel Alegre à SIC Notícias - 31/05/2006, 21 h

A miséria e os interesses internacionais em Timor. Re-edição do já visto, para mal e amargura do Povo Timorense. Uma visão objectiva e desassombrada, como sempre. Interrogações várias, algumas nas entrelinhas. O petróleo, mais uma vez (ou sempre)? E as velhas perguntas ao MIC, para temperar. Que pode dizer MA, senão combater e resistir? Resistir... Mas uma entrevista viva e cordata. Longa, para variar. Foi bom.
(LMR)